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Folha branca
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  • Foto do escritorRafaela Manzo

Tudo muda, até as estações.






Tem uma música da Kell Smitch que salvei na minha playlist de 2022 e ouço repetidamente quando mudanças acontecem e me assustam. Chama “Mudei” e fala muito de mim, mas essencialmente fala mesmo sobre todos nós, sobre a natureza humana, e sobre a nossa capacidade de lidar com mudanças, superar altos e baixos, aprender com as não constâncias. E nada, absolutamente nada nessa vida, é constante. Só entendendo isso a gente consegue encontrar paz para superar momentos difíceis – ou não se deslumbrar com momentos de muitas conquistas e sucesso. Para o bem ou para o mal, tudo passa.


Semanas atrás conversava com um amigo querido sobre como estavam nossas vidas pessoais e profissionais – que é tudo parte da mesma vida, aliás. Um papo corriqueiro que me lembrou da quantidade de desafios recentes que ambos superamos. Foi engraçado pensar que houve, em tão pouco tempo, altos e baixos tão acentuados. Que estivemos à beira da morte, cada um de um jeito, mas que ambos sobrevivemos. No meio da conversa citei a imagem que sempre me vem à mente quando penso que nada está sempre bem ou sempre mal: a dos sinais vitais nos monitores que medem nossos batimentos cardíacos quando estamos num hospital. Quando as linhas estão se movimentando, embaixo e em cima, a vida ainda está lá pulsando em nós. O que preocupa mesmo é quando a linha fica reta, quando o movimento acaba anunciando o que para muitos é o fim da linha – ou o fim da vida terrena, como gosto de acreditar.


Por isso é natural estar tudo bem num dia e no outro não. É sinal de que há vida e estamos pulsando. A natureza está cheia de metáforas dessa impermanência necessária à vida, dessa metamorfose que todos vivemos para seguir. As estações do ano, o dia e a noite, a água que muda de fase para se ajustar à temperatura externa – como nós também temos que mudar, tantas vezes, para sobreviver ao ambiente que nos é imposto.


Temos pouco controle sobre as variáveis externas e às emoções que nos invadem quando somos acometidos por essas mudanças – mas a forma como lidamos com essas emoções, como ressignificamos os fatos, isso sim está sob nosso controle. É da nossa natureza sobreviver, então há em nós um “fio” que nos conduz ao melhor caminho para passar por aquela “estação”. Esse fio, em mim, é bastante fortalecido por duas expressões artísticas fortes desde a infância: a escrita e a música. Por isso as playlists me acompanham – e os cadernos e canetas também.


Todos nós temos um fio interno que nos traz “de volta pra casa” quando nos perdemos. É a natureza da gente, que é água, que segue sendo água mesmo quando evapora ou endurece. Esse fio, aí, pode ser uma crença poderosa, uma habilidade secreta, um lembrete de um velho amigo que nos recorda quem somos e de onde viemos – e das boas obras que um dia fizemos, que dizem tanto de nós também. Recentemente ganhei um fio novo, poderoso e forte, que é o sorriso da minha filha, Lis. Viver para ver esse sorriso todos os dias foi o presente mais valioso que ganhei de Deus.


A gente pode estar atravessando uma noite escura da alma, um inverno rigoroso da vida – ou uma primavera colorida e um verão cheio de cor. O que importa, mesmo, é saber que essas estações vão passar.


Quase sempre o que fica, de todas as fases, é a memória de quem nos acompanha.

Por aí: quem te deu a mão quando a noite era traiçoeira e a cruz pesada? Porque se forem as mesmas pessoas que celebram contigo as alegrias da vida, parabéns: você sustenta relacionamentos verdadeiramente saudáveis, capazes de sobreviver às adversidades. Como a pandemia que atravessamos e suscitou em nós tantas necessárias mudanças e tempos de revisão de rota. Quem estava ao seu lado atravessando a sombra desse tempo tão desafiador? Desejo, de todo o coração, que sejam as mesmas pessoas que celebrarão contigo tempos de colheita. Eles sempre chegam, afinal, como a primavera que chega após os invernos.


Tudo muda. Até as estações. A gente também. Ainda bem. 🙂

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