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  • Foto do escritorRafaela Manzo

Inteligência artificial x inteligência relacional

Faz tempo que quero falar sobre um dos assuntos de maior relevância em todos os canais que conheço hoje, mas precisava de mais leitura para entender, tempo para digerir e experiência prática para fundamentar a pesquisa e estudo que fiz.

Há muito, muito mesmo, o que falar a respeito, mas por ora deixo aqui algumas pequenas provocações a partir de tudo que li, assisti e do pouco que usei a AI nas últimas semanas.


1 - A inteligência artificial está a serviço das pessoas. Como os carros e todo o tipo de tecnologia, são capazes de promover tanto o mal quanto o bem. Depende basicamente da intenção de quem está por trás. Pode ser tanto um bom instrumento quanto uma perigosa arma. Imagine uma pessoa dirigindo um carro. Ela pode estar em estado de consciência alterado e colocar a vida de quem está do lado de fora (e a sua própria) em risco e pode estar perfeitamente ciente do que faz e usar o carro para transportar um paciente em perigo para um hospital. O que faz o resultado ser diferente é justamente o componente humano: a consciência e responsabilidade implicadas em quem faz o uso deste instrumento.


2 – Como garantir o uso correto da AI? Estamos em fase de construção do arcabouço legal que limitará e regulamentará o seu uso. Isso sim demanda muita reflexão e estudo – além de tempo – para se fazer. Tudo é muito novo e tem mudado muito rápido. Acho que todo debate, neste momento, é rico e necessário. Acontece que não estamos falando apenas da AI. Estamos falando do ambiente digital, do uso das redes sociais, dos perigos escancarados e ocultos que nos rondam – e estão aí batendo à porta e causando ansiedade aos pais que tem filhos em idade escolar, por exemplo. É o meu caso. Temos manuais de conduta de práticas do jornalismo sendo colocados em xeque e sendo reconsiderados. Honestamente, acho isso tudo muito necessário e positivo. Essa semana mesmo excluí minha conta no Twitter, depois de tudo que li a respeito da forma como essa rede social tem se comportado diante das novas exigências adotadas. É bom que a gente possa pensar sobre o que estamos usando, consumindo e escolhendo, diariamente, apoiar enquanto consumidores e cidadãos.


3 – O buraco é mais embaixo. Posso falar de diversos lugares distintos sobre isso com propriedade, sem medo de errar. A crise que estamos vivendo, depois da crise sanitária que atravessamos quando fomos acometidos pela Covid19, hoje é uma crise muito mais séria. É uma crise moral, social, ética. Há uma segunda pandemia em curso, sinto que a mais perigosa delas porque fragiliza um dos nossos alicerces mais importantes da nossa espécie, que é a saúde mental. Ando estudando um bocado sobre esses temas para fundamentar um projeto novo (e lindo!) em construção e o cenário neste sentido é sim assustador. Precisamos nos movimentar não apenas cobrando mudanças, mas agindo para realizar mudanças. Não é responsabilidade apenas das leis, do poder público e das empresas. É nossa. Dentro de casa, o que temos feito para ensinar nossos filhos e protegê-los dos perigos a que estamos expostos?


4 – É aqui que chego à reflexão mais urgente. Precisamos treinar e desenvolver, mais do que inteligência emocional, inteligência relacional. Elisabeth Gilbert tem uma frase em um dos seus livros que me toca profundamente. Vivemos num mundo, não num útero. Precisamos ser competentes para olhar o outro e compreender suas diferenças, necessidades e emoções. Precisamos ser mais hábeis para enxergar o que o outro nos conta, exercitar uma escuta realmente empática e ativa, acolher as tantas dores que estão surgindo e nem sempre comunicadas com clareza. A violência e o perigo que está nos rondando e assustando é resultado de necessidades de pessoas que não estão sendo atendidas, gerando adoecimento (físico, mental e emocional). O que estamos fazendo para mudar esse cenário? Estamos olhando mais para fora ou para dentro? Que atividades estão nos ocupando tanto que esquecemos de cuidar do que é realmente importante e essencial? Quando voltamos a ligar o piloto automático que fomos obrigados a desligar em 2020-2021?


Esse são pontos de reflexão, não de conclusão – então fiquem confortáveis para nos contar o que tem pensado por aí a respeito desses temas.


Do meu ponto de vista precisamos voltar a acessar as características que nos diferenciam da inteligência artificial, dos componentes efetivamente humanos. Não precisamos competir com a tecnologia. Podemos aprender a usar ela de forma correta, eficiente e responsável.


Pelo que testei a AI responde bem, por exemplo, às perguntas mais bem elaboradas. Isso que só nós, humanos, podemos fazer – a partir das experiências que vivemos e emoções que nutrimos.


E você, que reflexões e medos tem chegado por aí?

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